
Os Lugares Mais Bonitos de Portugal: Cidades, Litoral e Tesouros Escondidos
Portugal é um daqueles países impossíveis de visitar sem se apaixonar. Um pequeno retângulo na ponta ocidental da Europa que concentra numa superfície surpreendentemente compacta tudo o que um viajante pode desejar: cidades antigas tombadas sobre os seus próprios elétricos, costas esculpidas pelo Atlântico, vinhas que sobem encostas em escadarias de pedra e um fado que parece nascer das próprias paredes dos bairros históricos. De Lisboa cravada de azulejos e morros a Porto sobre o rio Douro, das grutas marinhas do Algarve até aos jardins suspensos da Madeira, Portugal recompensa quem viaja com calma — e pune quem tem pressa. Este guia leva-o aos lugares mais bonitos do país, com conselhos práticos para aproveitar ao máximo cada um deles.
Lisboa — As Colinas, Os Elétricos e o Mar
Lisboa não se descobre, sobe-se. Molhada pelo Tejo e construída sobre sete colinas, a capital portuguesa é uma cidade de vistas, ladeiras íngremes e bairros que se transformam de bairro em bairro em poucos minutos a pé. O elétrico 28 continua a ser a forma mais romântica (e lendária) de subir da Baixa até à Alfama, cruzando ruas estreitas onde as roupas branqueiam penduradas nas varandas ao som de fado. Não perca o Miradouro de Santa Catarina para o pôr do sol, o bairro das artes em cada esquina do Bairro Alto e da Príncipe Real, e as vistas do Castelo de São Jorge ao amanhecer, antes de o sol tornar tudo em bronze. Gastexperimente os pastéis de nata na pastelaria que os inventou, na rua de Belém, e não se esqueça de descer até à ribeira, onde o skyline de Lisboa se reflete manso no rio. Dedique-lhe pelo menos três dias — e troque um deles pelos comboios que levam meia hora de Lisboa até Sintra.
Porto — Encanto Ribeirinho e Caves de Vinho do Porto
O Porto é a cidade dos contrastes que funcionam: trabalhador e elegante, histórico e cheio de vida, com uma relação visceral com o rio Douro e o Atlântico. A Ribeira, o bairro que desce até ao cais, está tombada sobre o rio num emaranhado de casas coloridas de fachada estreita e ruelas de pedra onde o tempo parece parado. Atravesse a Ponte D. Luís I (desenho engenhoso de um aprendiz de Gustave Eiffel) até Vila Nova de Gaia e desça às caves de vinho do Porto para uma prova à beira-rio. Acima, o centro histórico preserva a estação de São Bento revestida de vinte mil azulejos, a Livraria Lello e as torres antigas da Sé. A vida à noite concentra-se nas russas do centro e nos bares do mercado do Bolhão renovado. O Porto é também a porta de entrada para o Minho: a partir daqui pode pegar num carro e em meia hora estar em praias selvagens do Atlântico — ou apanhar o comboio que segue o vale do Douro acima.
O Vale do Douro — Vinhas Esculpidas nas Colinas
O Vale do Douro é uma das paisagens mais belas e antigas da Europa cultivada pelo homem — uma região de vinhedos em socalcos que sobem cada colina em ondas verdes e douradas, delimitada por um rio que serpenteia entre montanhas. Esta é a terra natal do vinho do Porto, e é impossível visitá-la sem se render às suas vinhas, quintas e adegas encaixadas nas encostas. A forma mais espetacular de a ver é o comboio histórico do Douro, que parte do Porto e percorre o vale, encostado às margens e atravessando pontes centenárias até à Régua e Pinhão. No Pinhão, pare para almoçar num bar da estação de azulejos e prove os vinhos em quintas como a Quinta do Seixo, Olaz ou Prazo de Roriz. A melhor altura é a vindima, entre setembro e outubro, quando os socalcos se tingem de vermelho e laranja e o vale se enche de festa e vindimadores. Mesmo quem não conhece nada sobre vinho sairá daqui a ter um novo amor: o Douro.
O Algarve — Falésias Douradas, Grutas Marinhas e Enseadas Secretas
O Algarve é o cartão postal que todos conhecem e a Europa inteira visita — e ainda assim, para além dos resorts, esconde um litoral de tirar o fôlego esculpido pelo Atlântico. A imagem de marca são as falésias doradas sobre a areia, moldadas pelo mar e pelo vento em arcos, túneis e grutas marinhas como as famosas grutas de Benagil, acessíveis apenas de barco ou caiaque. A costa ocidental, a partir de Lagos, esconde praias selvagens com dunas e vegetação baixa, enquanto a zona oriental, perto de Tavira, oferece ilhas de areia plana ao largo onde só se chega de ferry. Para além da praia, o Algarve tem história: a escadaria romana e o porto de Milreu, a vila medieval de Silves com o seu castelo cor de terra, e mercados frescos como o de Olhão. Coma a amêijoa à bulhão pato, o polvo de Monchique no interior, e beba uma laranja acabada de espremer. Junho e setembro são os melhores meses para a água quente sem a multidão de agosto.
Sintra — Palácios de Conto de Fadas nas Montanhas
Sintra fica a apenas meia hora de comboio de Lisboa, mas parece outro país — uma serra fresca e verdejante coroada de palácios fantásticos que parecem saídos de um conto de fadas. No topo, o Palácio da Pena é um castelo romântico de aras e amarelos, envolvido em névoa, com vistas até ao Atlântico. Mais abaixo, a Quinta da Regaleira esconde poços iniciáticos, grutas e túneis que os amantes do mistério adoram. E no centro da vila, o Palácio Nacional de Sintra impressiona com as suas chaminés em forma de cone. Sintra é um lugar de rei, e tratam-se as subidas a pé como um pequeno ritual: meias de manhã para apanhar a luz suave e as multidões francas é a melhor receita. Leve roupa fresca, porque mesmo em agosto há neblina na serra, e termine o dia com um travesseiro de Sintra num dos cafés históricos da vila.
Madeira — O Jardim Flutuante do Atlântico
A Madeira é conhecida como a ilha-jardim do Atlântico, e por boas razões: uma rocha vulcânica coberta de verde, flores e levadas — os canais de água centenários que descem das montanhas para os vales e que servem de trilho para os caminhantes. O Funchal, a capital, está ancorado numa baía em curva com jardins tropicais, o mercado dos Lavradores e um funicular que sobe até ao Monte. Acima, a ilha oferece o que de mais belo tem: estradas em saca-rolhas coladas às montanhas, picos que emergem do mar como o Pico do Arieiro e o Pico Ruivo, e levadas como a do Risco ou da Água da Telha para caminhadas de conto de fadas. A Madeira é famosa também pelo vinho e pela poncha, e a melhor maneira de a ver é de carro, parando nos miradouros que sucedem ao longo de toda a ilha. Ao contrário do que muitos pensam, o clima é ameno todo o ano — a Madeira é o destino perfeito para escapar ao inverno europeu.
Os Açores — Lagos Esmeralda e Majestade Vulcânica
Os Açores são a joia mais selvagem e autêntica de Portugal — um arquipélago de nove ilhas vulcânicas perdidas no meio do Atlântico, onde os lagos de esmeralda se encontram em caldeiras antigas e onde a natureza ainda esconde tesouros. A ilha de São Miguel é a mais acessível e guarda algumas das experiência mais impactantes: a Lagoa das Sete Cidades (fosco, azul e verde), o Vale das Furnas com os seus fumos vulcânicos e conhecida pega de cozido de pedras, e a Lagoa do Fogo escondida no centro da ilha. A ilha do Pico oferece a montanha mais alta de Portugal, quase 2.400 metros de basalto que se avistam do mar. Flores e Corvo, mais a ocidente, são para quem procura o fim do mundo. Os Açores estão a desenvolver o turismo de forma sustentável e ainda sentem virgens: baleias, golfinhos, trilhos e lagoas. O melhor é visitar entre maio e setembro, quando o mar está mais calmo — e ir de ilha em ilha de ferry ou de pequeno avião. O preço de tudo isto? Sereno e tranquilo.
Évora e o Alentejo — Templos Romanos e Sobreirais Infindáveis
O Alentejo é o coração silencioso de Portugal — uma planície enorme de campos dourados, olivais e sobreirais que se estende até onde os olhos alcançam, pontuada por cidades medievais de pão e vinho. Évora é a joia da coroa: uma cidade-dentro-de-muralhas com um templo romano de colunas coríntias, uma catedral gótica e a famosa Capela dos Ossos, que forra as suas paredes com esqueletos humanos em jeito de lembrete poético da nossa mortalidade. Além de Évora, não perca as aldeias brancas de Monsaraz e Marvão empoleiradas em colinas, a vila de Arraiolos artesã de tapetes, e a planície de Elvas com a sua fortaleza abaluartada. A gastronomia do Alentejo é lendária: pão, azeite, queijo de Évora, migas, enchidos e vinho de talha. O ritmo é lento — e é precisamente essa a sua maior atração. Para a planície, um carro alugado é quase obrigatório.
Óbidos e a Costa de Prata — Muralhas, Surf e Magia Medieval
Subindo a costa a norte de Lisboa, a Costa de Prata estende-se de Peniche a Espinho com um litoral de areias douradas e ondas de fama mundial — é aqui que vivem os surfeiros de Portugal. No coração desta região fica Óbidos, uma vila-fortaleza completamente cercada por muralhas que já foi presente de um rei a uma rainha e hoje se atravessa toda a pé entre ruas floridas. Não perca o castelo que hoje é pousada, a Porta da Vila, a praça principal gelada de ginjinha e os doces conventuais. Mais abaixo, Nazaré é o palco das ondas gigantes de Peniche — vulgarmente conhecidas como as maiores do mundo. A litoral entre eles é uma sucessão de praias selvagens, lagoas e aldeia piscatórias como a Ericeira, a primeira reserva mundial de surf na Europa. Vindo de Lisboa, Óbidos e a Costa de Prata fazem-se confortavelmente num passeio de um dia; mas quem tiver tempo leve um fim de semana ou uma semana com o surf à mistura.
Conselhos para Planear a Sua Viagem a Portugal
Portugal é pequeno e bem ligado por comboio, autocarro e estrada — sendo o carro a forma mais flexível de explorar o sul e o interior. Primavera (março a maio) e outono (setembro a outubro) são as melhores estações para o clima suave, os preços mais baixos e as praias sem multidões de verão. Julho e agosto são os meses de pico: o interior escaldante e o litoral apinhado, mas a água quente vale a pena. Para as ilhas, reserve os voos com antecedência, sobretudo para os Açores, e verifique os ferries entre ilhas. A língua é o português; o inglês é falado nas zonas turísticas, mas um olá ou obrigado em português abrem todas as portas. O euro é a moeda e o país é muito seguro para viajantes. Reserve os pontos principais como o Palácio da Pena e as caves do Porto com antecedência em época alta, leve sapatos de sola macia para calçadas irregulares — e deite fora o mapa: Portugal recompensa quem se perde um pouco.
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